Passados cinco meses, quase metade do lixo não é separado

A empresa Junges Soluções em Limpeza Urbana divulgou o primeiro relatório de avaliação da coleta seletiva em São Sebastião do Caí. Os dados apontam que o projeto já teve avanços, mas também que ainda há muito por ser feito para que os resíduos produzidos pela comunidade realmente tenham destinação correta. Pelos números, que se referem apenas ao lixo depositado nos containeres do sistema, enquanto a separação correta cresceu de 9% para 13%, o volume de lixo ainda descartado de forma errada, com todos os tipos de resíduos misturados inutilizados, chega aos 41%. Caí tem cerca de 25 mil habitantes e produz uma média de 400 a 430 toneladas de resíduos ao mês.

Os demais 46% abrangem sacolas e outras recipientes com vidros, roupas, fezes de animais e todo o tipo de material que possa ser descartado pelas pessoas e que não pode ser reaproveitado devido a contaminação. A coleta seletiva teve início no dia 21 de junho, com 36 containeres distribuídos na avenida Osvaldo Aranha, Estrada da Várzea e Loteamento São Sebastião, todos no bairro Vila Rica. O percentual é a média de duas datas de referência da coleta, 14 de agosto e 30 de outubro, e para a empresa, estabelece como inviável nesse momento o trabalho em esteira dos catadores, ou seja, a formação de uma cooperativa. A avaliação não abrange os 60 equipamentos distribuídos em meados de outubro no Centro da cidade. “Sabíamos desde o início que o maior desafio seria a parte de conscientização e os números realmente mostram que muitas pessoas ainda não se deram conta da necessidade da separação correta”, aponta a educadora ambiental da Secretaria Municipal de Administração, Planejamento e Meio Ambiente, Grasiela Müller.

Como o recolhimento nas lixeiras individuais foi extinto nas áreas do bairro Vila Rica que contam com containeres no dia 1º de novembro e casos de pontos com acúmulo de detritos foram identificados, nesta quinta-feira a prefeitura fez um levantamento para avaliar a situação. “Confirmamos que há problemas em lixeiras de pontos específicos. Mas na grande maioria as pessoas já usam os containeres. Vale ressaltar que as lixeiras não terão lixo recolhido. Quem colocou lá que retire e leve aos containeres, mesmo que não esteja corretamente separado”, destaca Grasiela.

 

Ações e orientações são parte permanente do programa

Ciente da necessidade de trabalhar a conscientização e a mudança de hábitos da comunidade, a Secretaria Municipal de Administração, Planejamento e Meio Ambiente tem como ação permanente do projeto de coleta seletiva a orientação dos moradores. Distribuição de material explicativo sobre a coleta foi distribuídos nos últimos dias pela região central e mais iniciativas ocorrerão nas próximas semanas.

Desde junho, quando os primeiros containeres ganharam as ruas já ocorreram visitações de residências, escolas e empresas e grupos de apoio existentes nas unidades básicas de saúde. “Os dados da Junges e as experiências que conhecemos de outros municípios mostram que a colaboração e a adesão dos moradores é parte fundamental do projeto. São as pessoas que separaram e retiram o lixo de suas casas. Sem elas fazendo do modo correto, todo o processo fica comprometido”, afirma a educadora ambiental Grasiela Müller.