Abertura do ano letivo destaca valor humano da educação


“Foi uma noite magnífica. Abrimos o ano letivo com toda a energia e motivação para encarar os desafios de 2020.” Assim o secretário municipal de Educação, Cultura, Turismo e Desporto, Elton Fernandes, definiu a atividade ocorrida ontem, dia 19, no Centro de Cultura. Cerca de 400 professores e funcionários das escolas de São Sebastião do Caí lotaram o espaço para a programação que deu início oficialmente às aulas nas 22 escolas da rede municipal de ensino.

O destaque da noite foi a palestra do doutor em educação e reitor honorário da Universidade de Lisboa (Portugal), o professor português António Sampaio Nóvoa, que veio a Caí através de parceria do município com o Sesc/RS. Durante quase uma hora e meia, o educador falou sobre o futuro do ensino nas escolas públicas e os desafios e adaptações pelos quais os docentes terão de passar para conseguir cumprir a missão de ensinar. “Os defensores da evolução digital já falam em máquinas capazes de aprender e que, com isso, seriam capazes de ensinar também. Trabalho em setores da própria Unesco que são simpatizantes dessa ideia, mas eu pessoalmente sou terminantemente contra”, disse Nóvoa.

Segundo ele, é fundamental se manter o lado humano da educação, o que só será possível com a presença do professor. “Porém, para isso, nós educadores teremos de passar por profundas mudanças e adaptações. Em dez anos, as salas de aula tradicionais começarão a desaparecer, dando lugar a ambientes parecidos com os laboratórios que conhecemos hoje. E, muito além disso, os educadores terão de renovar conceitos, metodologias e práticas. E isso tem de começar agora.”

Alunos, conhecimento e mundo fragmentado

O reitor honorário da Universidade de Lisboa afirmou que o tripé fundamental da educação moderna, alunos, conhecimento e mundo, está passando por profundas transformações. “A educação é um bem público e um bem comum, tem de seguir assim e só proporcionará todos os seus benefícios se atingir a todos.”

António Póvoa continua afirmando que isso só será possível se o aluno for levado em consideração no processo. “O estudante de hoje aprende mais uns com os outros do que de forma individual. Temos de valorizar a aprendizagem do conviver. É o trinômio Comum – Comunicação – Comunidade.”